THE BOOK

Este blog jamais pretende converter, convencer ou disputar espaço religioso, tampouco excluir outras formas de crenças. É, via de regra, um espaço ecumênico e, se assim posso dizer, também social na medida em que visa espargir sementes de amor, reflexão e fomentar aos visitantes, a busca pelo equilíbrio interior e autoconhecimento. A primeira pessoa a se beneficiar é aquela que psicografa, contudo, seria desleal armazenar mensagens para usufruto pessoal, quando o objetivo é disseminar o amor que as falanges do bem tanto lutam para alcançar os corações e mentes das pessoas. Quanto à liberdade de crença, está é facultada a todo ser humano, embora nem sempre exercida com sabedoria. Felizmente, nosso mestre Jesus, através de seu incontestável conjunto indelével e atemporal de ensinamentos, praticou com sabedoria a lei do amor em todas as suas instâncias e muito temos a aprender com ELE, mesmo diante de nossas imperfeições e preconceitos em vivência demasiadamente humana. Desejo tão somente trazer por este formidável e democrático meio de comunicação, variedades e mensagens por mim psicografadas com carinho e seriedade, espero que sejam úteis a quem acompanha este blog.

This blog never intends to convert, convince or dispute religious space, nor exclude other forms of beliefs. It is, as a rule, an ecumenical and, if I may say so, social space insofar as it seeks to sow seeds of love, reflection and encourage visitors, the search for inner balance and self-knowledge. The first person to benefit is the one who psychographs, yet it would be disloyal to store messages for personal enjoyment, when the goal is to spread the love that the phalanxes of good both struggle to reach the hearts and minds of people. As for freedom of belief, it is available to every human being, though not always exercised wisely. Fortunately, our Master Jesus, through his undeniable indelible and timeless set of teachings, wisely practiced the law of love in all its instances, and we have much to learn from Him, even in the face of our imperfections and prejudices in living too humanly. I just want to bring for this formidable and democratic means of communication, varieties and messages that I have psychographically and with seriousness, I hope they will be useful to those who follow this blog.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Jornal de Umbanda Sagrada
*Dona Rosa Caveira*
*Uma Pomba Gira nos Himalaias
*
*Por Edmundo Pellizari*
Dona Rosa Caveira é um mis­tério só.
Pomba gira pouco co­nhe­cida, tem reputação de maravilhosa curandeira e
as­pecto inquietante.
Nas imagens popu­lares, ironicamente difí­ce­is de encontrar no Brasil, ela
exibe um corpo meio esquelé­tico e meio humano coberto com capa e capucho.
Nos meios tradicionais é dito que ela é a "esposa" de Seu João Caveira, exu
da "Velha Guar­da" do cemitério e Chefe da Linha dos Caveiras, um grupo de
ser­vi­­dores fiéis e muito pres­tativos.
Em conversa ao pé do con­gá, com alguns irmãos de fé que também circulam
pelos caminhos de algumas reli­giões de origem bantu (Kim­banda, Cangerê,
Cabula), ou­vi que Do­na Rosa Caveira é protago­nis­ta de inú­meras lendas.
Uma delas conta que Rosa nasceu no Oriente.
Sétima filha de uma simples família do campo, desde cedo aprendeu com seus
pais as artes da cura, pois eles eram afamados xamãs. Sua fa­lecida avó foi
sua primeira guia espiritual.
Em sonhos, a querida al­ma da ancestral instruia e aconselhava a neta.
Rosa era uma menina privile­giada.
Aos dezenove anos ela conheceu um xamã mui­to mais velho.
Eles se apaixonaram e casaram.
Ela então começou um perío­do muito intenso de atendi­mento espiritual aos
cidadãos de sua vila e arredores.
Sua vi­da trans­correu cheia de méri­tos e bênçãos.
Rosa morreria depois de seu marido, sa­bo­re­an­do o prazer de uma
exis­tência de­dicada os mais necessitados.
Outra lenda nos conta o se­gre­do de seu nome...
Ao redor da ca­sinha onde sua família morava existia um roseiral selvagem.
No final da gra­videz, sua mãe não teve tempo de pedir ajuda à parteira
local e a menina nasceu ali mesmo.
Daí o nome: Rosa.
Por que caveira ?
Em certas regiões do Oriente, so­bretudo na Índia, Tibet e Butão, alguns
xamãs e yogues utiizam a caveira hu­mana como um cálice ritual.
A ca­veira, assim utilizada, não está relacio­nada com magia negra ou
qualquer arte malévola.
No Budismo Tibetano os Lamas utili­zam uma caveira como cálice.
Também fazem um pequeno tambor com duas metades de caveira...
Na Índia ele é chamado de Damaru e a caveira de Kapala.
Quando conheci a lenda de Rosa Caveira, imediatamente percebi a co­nexão com
as tradições yogues e tibe­tanas.
Na minha imaginação eu "vi" a gran­de mestra sentada numa alta mon­tanha,
segurando uma caveira e em profundo estado de meditação.
Seria Rosa Caveira tibetana?
Pode ser que a lenda tenha se oci­dentalizado e a planta original, que
poderia ser o lótus, tenha se trans­for­mado em rosa.
Neste caso seu nome seria Pema em tibetano. Em sânscrito, seu nome
espiritual seria Kapa­la­padma (Lótus Caveira).
Na tradição budista e mágica do Tibet, Mongólia e arredores, existem mui­tas
histórias e lendas com as mes­mas características das aqui men­cio­nadas.
O fato é que como Pomba Gira bra­sileira, na gira do dia-a-dia dos
terrei­ros, Rosa Caveira é um pouco dife­rente de suas irmãs.
Ela não se firmou como "mu­lher da vida" ou er­ran­te marginal.
Mas se perpetuou como curandeira poderosa e ponte entre os diversos reinos
do astral.
Uma outra curiosidade cir­cunda esta Pomba Gira. Rosa Ca­veira trabalha e
vi­bra no cemitério...
Em algu­mas tradições orientais, as mes­­mas mencionadas acima, certo grupo
de adeptos utiliza o cemitério para tra­balhos espirituais de cura e
transfor­mação. Eles são cha­ma­dos de Kapa­likas ou portadores da caveira!
As mu­lhe­res do grupo, além da caveira transportam um tridente.
Certa vez eu estava caminhando com um amigo indiano pelas ruas do centro de
São Paulo.
De repente, dian­te de uma loja de artigos religiosos, ele literalmente
ficou paralisado!
Uma grande e vermelha estátua de Pomba Gira estava diante de nós.
Nua, majestosa, segurando um tridente e com uma caveira nos pés.
Shivaji, meu amigo indiano, se cur­­vou aos pés da imagem e disse:
"Trishula Kapala Ma! O que você faz aqui?"
Trishula Kapala Ma é a Mãe do Tri­dente e da Caveira,
uma re­pre­sen­tação do femi­nino sagra­do que po­de ron­dar os lugares de
cremação.
Ela des­­trói os fantasmas ma­­lignos e os demô­nios, come as ilusões
hu­ma­nas e resgata as almas das mãos dos seres das tre­vas.
Seu aspecto pode ser "terrí­vel", mas a luz e a bonda­de emana de seu
cora­ção.
Atrás do aspecto funesto de Rosa Caveira com certeza brilha a mesma luz.
Nela se encontram o Oriente e o Oci­dente, o vermelho e o branco, a vida e a
morte.

Edmundo Pellizari

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